segunda-feira, 20 de julho de 2009

11.- CORRIGENDA Fernando Sylvan (Timor Leste)

Nenhum povo é grande por ter apenas fastos a contar,

Mas pelas liberdades que soube viver
e pelo amor que tiver para dar.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Os Infelizes


No entanto completas-te a rota, comigo.
- Vim de muito longe e agora não me arrependo. Mas esta não era a vida que eu requeria...para ser feliz.
- Nunca é a vida que nos queremos, desculpe... A melhor porque nunca será a vida que tanto imagináramos, ou no fim de contas, sonhamos ter.

De quando em quando se é feliz.
- Uma vez ate conta me dei de que a mil milhões por decênio, a humanidade não pode sobreviver sem recursos, recursos dilapidados que agora terá de inventar... Os recursos têm um limite, os planetas sempre se esgotam.
- Te preocupa a explosão demográfica
- Me preocupa diluir-me entre uma massa tão imensa.
- Saber que a paixão não se come. Que a ignorância devora. O cúmplice tem certo poder e, os que mandam sustentam sua miséria, sabemos todos nós.

Se é feliz, de alguma forma; se procura ser feliz de alguma forma e de quando em quando acreditamos teve sentido construirmos por dentro, o espírito que ficou nu diante do estorvo.
Não reparamos, nunca reparamos no efêmero e sem sentido. No transcendente nunca estivemos, no transcendente nunca os supostos logros, nem sequer a historia das civilizações tem um lugar num tão basto conceito, difícil de definir e em espaços muitos confusos.
Agora talvez deixemos de existir, e alem de nós, a quem demo lhe importa. Para que, para quem tem importância os nossos jogos, os nossos técnicos, científicos, aritméticos e arquitetônicos logros. Para quem, para que foram erguidos, em sonhos tão imprudentes?

E a pesar completas a rota comigo. Não tenho muito para te dizer, tampouco uma agradável desculpa. Acontecem cousas, as cousas que tem de acontecer, como imprevisíveis a previdência, como insensíveis aos remorsos e, no entanto nunca fora do controlo, de estas e outras mesmas. Acontecem essas cousas e tu comigo...
Fragmento Do relato do mesmo nome de Artur Alonso

terça-feira, 30 de junho de 2009

O Que Eu Sou


O que eu sou
Eu sou o que sinto

mas o que sinto
não me pertence

só me faz ser

me possui...


Dentro de mim o Universo


Mas nada é meu...

nem as palavras que te escrevo

para te não dizer que te amo


Poema de Concha Rousia.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

मर्रकुएक्से Marraquexe

Se quiseres ver
Tens de ir a Marraquexe

Há um contador de fabulas
que levanta pólen
formando romeiras,
a cada pancada de seu pé direito

e serpenteia cada braço
num rito consciente,
enquanto escuro o ventre palpita
retumbar ecoando sonhos
de tribos nômades perdidas,
presságios antigos
ainda não satisfeitos

a sua historia atendem
entusiastas as crianças,
os homem supõem visitar alem o adentro
e as mulheres, por um segundo, evadem
libertadas de um severo olhar
as túnica gastas no vento


Se em verdade
abres os olhos
poda ser que penetres
por fim em Marraquexe

onda a luz solar flutua areia âmbar
o tempo é teu inconsciente
e aquele supor, agora faz parte
de um processo, pesado descanso

Na praça do enforcado estatuas vagueiam
e à cerimônia antiga, cumprido ritual,
as casas fazem círculos de adobe trás a lua

Senão foste flauta de alento
perde-te hás
profundo no seu cetro
e já não poderás divisar sinais nas ringleiras
de palmeiras em sombra fresca

Não te será oferecida bem-vinda
nem avançar poderás
por estas portas sempre abertas

Para entrar em Marraquexe
é preciso deitar fora
toda carga que nos pese।
Poema de Artur Alonso पोएम दे अर्तुर अलोंसो

sexta-feira, 26 de junho de 2009

A mesma Pele

"Depois de mais uns instantes de silêncio, murmurou que eu era uma pessoa estranha, que gostava de mim decerto por isso mesmo, mas que um dia, pelos mesmos motivos, era capaz de passar aos sentimentos contrários। Como me calasse, por não ter nada a acrescentar, tomou-me o braço, a sorrir, e declarou que queria casar comigo."
Fragmento do livro: “O Estrangeiro” de Albert Camus।

.. as cousas também podem acontecer assim, ela chega, se senta, desfruta simplesmente do mirar. Não gosta muito de ti, mas tu estas como ela contigo à vontade. Seguem-se um ou dois dias. Risos no mesmo banho, os copos compartilhados a escova dos dentes, não. Ela comprova que, para ambos, escolhes-te bem o lado da cama, que o espelho aproxima dous rostos, que os rostos insinuam felicidade e o brilho dos olhos sempre penetrando na alma dos outros. Uma semana, um mês por ser mês. Ao final se fazem anos. Ela nunca disse: queres casar comigo. E tu nunca rompeste com promessas estúpidas o desfrute do silencio. Era aquele o momento, só que se reteve. E em ele ainda podes vir, ou resgatá-lo quando a rotina irrompa com a fúria que desgasta o passado...
Artur Alonso.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Mentes Abertas


“Um não pode suportar demasiada realidade”
(Carl Jung)
“Estamos a ponto de iniciar uma viagem desagradável através dum território sem cartografar”
(James Howard Kunstter no livro: “A longa Emergência”)
A necessidade nos faz acordar. Cruzamos vales, atravessamos rios, estradas que levam a nenhuma parte. Encostas trancadas de pedras: pedras na dor, pedras no sapato: na alma feridas abertas que também com pedras se consertam, quando precisa o coração de viver na rudeza. As vezes pó no interior dos olhos e no espírito acerado uma cantiga para cruzar fronteiras imaginadas na noite, que se ergueram sobre nós como os fantasmas nos sonhos. Mas conseguir também se consegue quando a necessidade precisa salvar da queima o livro das origens. Acarinhar a esperança de aqueles que estão por vir, e chegaram sem saber como este mundo foi construído (destruído). Precisarão eles da primeira palavra no primeiro ouvido. É isso mesmo que nós resguardamos da queima, do trovão, da umidade na chuva, das almas negras que em sombra adensam o mundo, para ficar a esperar, para lutar pelo impossível.
अर्तुर अलोंसो Artur Alonso

terça-feira, 23 de junho de 2009

RELEMBRANDO


Estive esperando por ti,
e como de esse dia nunca chegas:

um caminho ao meio
numa rua deserta, dous petiscos sobre a mesa

estive a aguardar por ti

o jornal enrugado
para o balcão adornar um copo de cerveja
e os pombos, como sempre,
fartos nestas ruas de debicar falsos alimentos

não tem remédio, me temo não tem remédio
como a camisa curta, as calças raiadas
gastas de afeto, e a barba que cresce
não tenho outro remédio que barbear
primeiro o pensamento, para embora esquecer-te

e aquele pauzinho com que jogávamos a cegas
linhas curvas, linhas retas (diz que um coração)
não tem outro remédio que ficar estilhaços
entre a lama mais fresca

dado que eu
estivem a esperar de novo por ti
com a esperança de que estes pássaros
de agora ao inverno regressem

e foi, por certo, muito lenta
este ano a migração,
dado terem pálpebras cansas ou isso assemelham

e tu, que em realidade eras a que tinhas de vir
este outono e outro e por vir
que tampouco será certo

declinas carreiros que juntem, longe mim
também deve haver cômodas mesas,
jantares deliciados e mais algo de aquilo que
tu gostas-te sempre

ou deves a melhor ter-te extraviado
como água quando inunda os regatos de afeto,

como tempo que cobre de peles a cortiça
no coração que não seja gotas sobras de amaneiro,
como quando em moçõs eu colei acima
da tua cabeça, suas folhas moles, como símbolo supremo
de um deus grego de cujo nome agora não me lembro

como desde há mais um mês tampouco me lembro dos
teus beiços.
अर्तुर अलोंसो Artur Alonso